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Isso não representa uma insensibilidade, nem a falta de expressar as emoções. Os homens têm emoções diferentes diante da infertilidade. As emoções que circundam a infertilidade são associadas à perda. Dessa forma, para os homens, que vêem seu papel social principal na vida como um trabalhador que está sempre fora de casa, ou seja, aquele que é responsável pelo sustento da família, a perda relacionada à infertilidade é a perda de um papel secundário, ou seja, o de ser pai. Por outro lado, para as mulheres isso representa a perda de um papel primário, aquele de ser mãe. É como se houvesse a perda de uma gravidez.
Os homens logo consideram a adoção ou viver sem filhos, assim que desistem da intenção de conseguir um filho que fosse parecido com eles. As mulheres também acabam aceitando a mesma situação, mas, em primeiro lugar elas têm que desistir de ficarem grávidas. E isso é doloroso.
Para que os homens pudessem entender, verdadeiramente, os sentimentos femininos frente à infertilidade, seria preciso passar por uma situação semelhante, onde o seu papel social principal fosse perdido. Imagine uma situação em que não fôssemos mais capazes de trabalhar, ou ficássemos inválidos para pensar em produzir ou ganhar o sustento da família. Imagine o que a família e os amigos pensariam de nós, homens. Como nos sentiríamos? Em minha opinião, essa seria uma forma do homem entender os sentimentos da mulher com relação à incapacidade de ter filhos.
O diálogo entre o casal é sempre muito importante para superar todos os obstáculos e quando se trata de uma gravidez que não acontece facilmente, mais ainda. Portanto, o casal deve conversar muito e compartilhar seus sentimentos, sonhos, medos e angústias.
